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Você é um músico,
artista, pregador de renome? Andam lhe descrevendo como ‘um grande homem de
Deus’? Cuidado, meu caro, cuidado. As pessoas tendem a ver só o que você
apresenta quando está de banho tomado, de cabelo penteado e com a barba feita. E
tendem a afirmar coisas baseadas nestas versões, digamos, favoráveis a sua
pessoa. Acredite nelas e você corre grandes riscos de se superestimar.
Melhor sempre levar a sério o que dizem sua esposa e seus filhos. Eles tendem a
ser mais realistas e menos puxa-sacos, pois lhe conhecem muito bem. |
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Estive nos últimos
dias em Portugal, por ocasião de uma conferência cristã. Fui chamado a
colaborar com workshops e minha música, mas a verdade é que, mesmo quando
supostamente chamados a abençar, saímos abençoados. Assim foi.
Eu francamente espero ter deixado minha contribuição na vida de alguém, mas
a verdade é que saí bastante impactado, especialmente com a palavra de um
dos conferencistas - João Martins. Foi um dos últimos a falar, quando todos
já estavam cansados. Mas creio que foi a mão de Deus que lá o colocou.
Quando todos estávamos fatigados de tanto fazer, ele trouxe-nos a lembrança
de que importa ser.
Confesso que suas primeiras palavras me remeteram a um sentimento de “ah, de
novo... já conheço estas mensagens”. Mas nada melhor do que um velho assunto
com novas luzes para nos quebrar o sentimento de ‘sabe-tudo’ que
volta-e-meia nos assola. Suas palavras ecoam em minha mente até agora.
Tento aqui retratar os novos conceitos garimpados e minha nova forma de
encarar e organizar o assunto.
Quando não sabemos quem somos, tentamos ser o que os outros dizem que
devemos ser
Uma coisa é ser gregário, trabalhar em equipe, outra coisa é se deixar levar
por sabe-se lá quais ventos. Precisamos de companhia, mas não devemos ser
levados por ela.
Geralmente os que ditam o caminho são aqueles que sabem quem são, e que
estão satisfeitos/resolvidos com o que sabem ser, e dispostos a serem fiéis
a esta crença, independentemente da gritaria ao redor. São o que precisam
ser, e ponto final.
Os demais – os que não sabem ou não estão seguros disso - correm atrás,
impressionam-se com falsos alarmes, superestimam ou subestimam pessoas ou
fatos, perdem-se a todo momento. São reféns da correnteza. Se estivessem no
julgamento de Jesus perante Pilatos, fariam coro com a turma do
‘crucifica-o’.
Quando não sabemos quem somos, começamos a achar que somos o que os
outros pensam ou dizem que somos
Se o primeiro grupo descreve os que ainda não chegaram no ponto, este talvez
descreva os que passaram dele. É a turma dos que ‘se acham’ mais do que são.
Você é diretor de uma empresa? Ótimo. Tenha o para ti tão somente. Já fui um
e acabei sofrendo quando o grupo de puxa-sacos me convenceu de que eu era
‘tudo aquilo’. Dei com os burros n´água. Uma falsa leitura da realidade
(otimista demais) é um perigo enorme.
Você é um músico, artista, pregador de renome? Andam lhe descrevendo como
‘um grande homem de Deus’? Cuidado, meu caro, cuidado. As pessoas tendem a
ver só o que você apresenta quando está de banho tomado, de cabelo penteado
e com a barba feita. E tendem a afirmar coisas baseadas nestas versões,
digamos, favoráveis a sua pessoa. Acredite nelas e você corre grandes riscos
de se superestimar.
Melhor sempre levar a sério o que dizem sua esposa e seus filhos. Eles
tendem a ser mais realistas e menos puxa-sacos, pois lhe conhecem muito bem.Não
é o que fazemos que determina o que somos
Muito
menos o seu cartão de visita. Não são aquelas palavrinhas sob seu nome (as
que contam qual é sua função) que dizem quem você é. Você é, ou deveria ser,
o que foi criado por Deus para ser.
Aliás, mergulhe em qualquer tipo de ativismo que eu lhe garanto que não terá
muito tempo para pensar em quem é, muito menos para avaliar se está sendo o
que deve ser.
Você paga todas as contas de sua casa? Você é fiel a sua esposa? Perfeito,
mas não é só isso que diz que você é um bom marido ou um bom pai. Você é
honesto, trabalhador, esforçado? Muito bom, mas talvez não seja apenas isso
que você deva ser em sua empresa.
Mas
é o que somos que determina o que fazemos
O que
somos de verdade é o que nos acorda antes da hora para trabalhar. É o que
chamamos de motivação, que na verdade independe do que nos pedem para fazer.
É o que somos que nos leva a inovar, fazendo algo que ninguém ainda fez. É o
que somos que nos impede de entregarmo-nos à correnteza, posicionando-nos se
necessário contra ela. Custe o que custar, doa a quem doer. E por que?
Porque somos assim, porque temos de ser assim, porque não há outra forma de
ser do que esta. Quem é, sabe. Quem não é que não sabe.
De fato, os outros só podem saber quem somos pelo que fazemos.
Ninguém entra no nosso íntimo, além de nós mesmos e de Deus. Nossa esposa
chega perto, mas não tanto. E só dentro de nós se define e se confirma o que
somos.
Os demais só podem deduzir o que somos. E a única maneira é nos observando,
justamente pelo que fazemos.
Mas lembre-se: o que fazemos diz aos outros quem somos, mas não o determina.
E então? Seguiremos fazendo para aparentar ser o que não somos, ou
fazendo o que é determinado pelo que somos?
Qual será sua escolha? Continuar num jogo de aparências, ou seguir sempre de
braço-dado com a versão mais honesta de nosso íntimo.
Deus espera por uma decisão nossa neste último formato.
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