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  O ansiolítico de Deus
 


Gosto bastante de pensar que o processo de colocar nossas ansiedades ao pé da cruz traz-nos a paz de Deus. E Jesus Cristo, em pessoa, passa a tomar conta de tudo e guarda consigo e protege do mal as nossas vontades, as nossas intenções, a nossa inclinação em fazer isso ou aquilo, e nos mantém em juízo perfeito.
Não sou piscólogo ou psiquiatra (acho que, se vestir branco, vão pensar que sou  no máximo um açougueiro).. Mas sei como sou ansioso e como esta ansiedade pode me tirar do juízo perfeito, do equilíbrio, do estado normal, me fazendo tomar decisões e atitudes pouco pensadas e de consequências drásticas e indesejáveis.
Às vezes imagino o quanto de lucro o mercado farmacêutico de anti-ansiolíticos perdeu quando obtive de Deus este santo remédio.
 

 
 
 
 
Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês, em Cristo Jesus
Filipenses 4:6

Este é um trecho bíblico que, ao contrário do que me recomenda, por um tempo até me deixou ansioso. Como
Paulo pode dizer para alguém não andar ansioso? Será que ele não conhece as circunstâncias da minha vida? Mas este argumento ia logo por água abaixo quando via que esta recomendação havia sido feita para a igreja em Filipos – não isenta de problemas, e por um Paulo aprisionado.

Por que? Porque ‘ansioso’ era o meu nome. Alguns amigos dos meus tempos de executivo de multinacional, ansiosos como eu, chegavam a dizer que esta era uma de nossas ‘qualidades’. Este conceito chegou a ser confirmado por um head-hunter – um daqueles caras especializados  em recrutar executivos para as empresas: ‘eles querem mesmo os mais ansiosos pois conseguem dar os resultados no curto tempo disponível. Querem os ‘quase neuróticos’, que não dão sossego as suas equipes antes de obter resultados’. E pensar que posso ter sido um desses... Pena que depois de literalmente ficarem malucos, esgotados, estressados... são trocados por outros, novinhos em folha, até mais jovens e mais baratos. Coisas da selva...

Como não ficar ansioso? Será que é errado nutrir anseios por coisas pelas quais lutamos? Será que é errado esperar por coisas melhores, diferentes, que ainda não existem?

Entretanto a resposta está no próprio texto. Vamos por partes:

Não andem ansiosos por coisa alguma...

O dicionário define ansiedade de algumas formas:

1) grande mal estar físico e psíquico; aflição, agonia

2) desejo veemente e impaciente
3) falta de tranquilidade; receio

4) estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso

Já aprendí que Paulo não está dizendo que é errado sentir-se ansioso vez por outra. Na verdade ele descreve um remédio para a ansiedade que temos e sentimos. Ele mesmo, Paulo, poucos versos antes, diz que ‘nossa pátria, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo’ (veja Filipenses 3:20). Outro verso bíblico nos ensina que esperar por algo também é fé, pois ‘a fé é a certeza daquilo que esperamos, e a prova das coisas que não vemos’ (Hebreus 11:1). Creio que Deus inclusive planta em nós sonhos e anseios,  ‘pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele’ (a mesma carta aos Filipenses, cap. 2:13).

Portanto, esperar por alguma coisa não nos faz necessariamente mal. É até o que nos move adiante. Mas errado é adoecermos por isso. Errado é exagerarmos na dose, trocando os nomes e as bolas. Anseio, sonho, esperança acabam virando ansiedade, ânsia, perturbação, desordem emocional. Errado é tentarmos controlar um futuro que não conhecemos e que ainda não aconteceu. Pior ainda é imaginarmos o que será o futuro, e por isso sofrermos no presente. Coisa, literalmente, de maluco.

Uma coisa é esperar por algo. Outra é adoecer por ela. Uma coisa é ter ansiedade. Outra é andar ansioso, viver ansioso. A questão fica mais simples quando pensamos no grau de ansiedade.

Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo ... apresentem seus pedidos a Deus

’Lancem sobre Ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês’ (1 Pedro 5:7). Simples, direto, eficaz. Deixemos nossas preocupações com Deus, já que nada de útil podemos fazer com elas. Se realmente entendemos que ansiedade é um estado afetivo penoso, motivado por um futuro que não conhecemos mas diante do qual nos vemos indefesos, nada melhor do que nos abrigarmos sob as asas de quem detém o futuro em Suas mãos.

Mas há formas de fazer isso. É simples, mas existe o caminho certo...

... pela oração e súplicas,

Será que é só chegar e pedir? Qualquer um pode entrar na presença do Pai e apresentar sua lista de pedidos?

Creio firmemente que não! Creio que isso é para os ‘de casa’, para quem já é chamado por Deus de ‘filho’. Por que penso isso?

Porque todos pecamos e por isso fomos destituídos do direito de estarmos na presença de Deus (Romanos 3:23-25). Contudo, Ele mesmo, Jesus Cristo, se fez sacrifício em pagamento por este pecado, e por isso podemos ser justos aos olhos de Deus, pela Sua graça. Podemos, sim, entrar na presença de Deus, mas não sem antes sermos cobertos pelo sacrifício de Jesus Cristo. Como se o Filho tivesse de dizer ao Pai que ‘este é um dos nossos’.

Qualquer um que já passou pela cruz pode entrar na presença de Deus e pedir por suas necessidades. Aqueles a quem ‘deu-lhes o direito de ser tornarem filhos de Deus (João 1:12)

... e com ação de graças

Não, não é só pedir. É pedir e agir em agradecimento. Mas como agraceder pelas coisas e problemas que estão me deixando ansioso? Não é delas que quero me livrar?

Não, não é delas. Deus não quer necessariamente nos livrar das circunstâncias nas quais estamos metidos. Ele promete nos livrar da ansiedade que estas coisas provocam. Pois, afinal, devemos considerar motivo de grande alegria passarmos por provações, pois a prova da nossa fé traz perseverança. E mais ainda: a perseverança tem de ser completa; tem de ir até o fim, para que não nos falte nada, para que sejamos maduros e íntegros (veja Tiago 1:2-4).

Quando agradeço a Deus por algo, algo acontece dentro de mim:

1) concordo com Ele quanto ao que está me acontecendo: pode ser duro agora, mas vai ser bom, de alguma forma;
2) reconheço e me lembro que Ele está no controle da situação; que Ele está sabendo de tudo;
3) paro de reclamar e passo a depender;
4) passo o controle da situação para Deus

E a paz de Deus, que excede todo o entendimento...

Não é qualquer paz. É a paz que Ele dá, não como aquela que o mundo dá. É...  o mundo até pode dar um tipo de paz, mas a de Deus é mais – é uma cuja compreensão nos é impossível, pois excede o nosso entendimento.

... guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.

Nós, latinos, temos a tendência de pensar que coração é sentimento, já que este é o significado que nossa cultura dá. Mas para o judeu coração não é sentimento, tampouco emoção. A cultura judaica (e portanto a linguagem bíblica) usa o conceito de que ‘coração’ é o centro das nossas intenções, da nossa vontade, das nossas decisões, o nosso pensamento íntimo. Mente, entendimento é o nosso raciocínio, o nosso juízo.

Gosto bastante de pensar que o processo de colocar nossas ansiedades ao pé da cruz traz-nos a paz de Deus. E Jesus Cristo, em pessoa, passa a tomar conta de tudo e guarda consigo e protege do mal as nossas vontades, as nossas intenções, a nossa inclinação em fazer isso ou aquilo, e nos mantém em juízo perfeito.

Não sou piscólogo ou psiquiatra (acho que, se vestir branco, vão pensar que sou  no máximo um açougueiro).. Mas sei como sou ansioso e como esta ansiedade pode me tirar do juízo perfeito, do equilíbrio, do estado normal, me fazendo tomar decisões e atitudes pouco pensadas e de consequências drásticas e indesejáveis.
Às vezes imagino o quanto de lucro o mercado farmacêutico de ansiolíticos perdeu quando obtive de Deus este santo remédio.

Finalmente...

Andar ansioso não é uma das opções mais inteligentes que alguém pode ter. Em nada contribui para a solução dos problemas que temos. E além do mais, desagrada a Deus. Afinal, Ele nos dá a solução. Por que não seguimos pelo caminho Dele?