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É uma revista virtual cristã, para a qual escrevo, e que dirijo. Será um prazer te-lo como visitante e assinante (é gratuita) 

 
 

   

 

 

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  Na busca de uma música que fale...
 


... que agrade o coração de Deus. E já aprendí que para Deus pouco importa o que estou cantando para Ele, pois Ele não se relaciona com a minha música, mas comigo. Sei que Lhe é agradável meu coração afinado com o Dele. Uma música com os pés no chão pode transformar vidas, agradando a Deus, e fazendo com que estas vidas também agradem a Deus. Pés no chão, coração no céu.

Tenho buscado fazer este tipo de música. Uma música que seja a decorrência do que vivo do que Deus tem instilado em mim. Canções que escrevo e canto, nas quais e pelas quais derramo o que vai dentro do meu coração. E canções que, de passagem, possam provocar em outras pessoas a sensação de familiaridade, de que sua letra cabe dentro delas, a ponto de perguntarem: como não fui eu quem as fiz?
 

 
 
 
 
Certas canções que ouço cabem tão dentro de mim
que perguntar carece: ‘Como não fui eu que fiz?’
(Milton Nascimento/Tunai)

Isso me desafia: encontrar parceiros por aí, gente que não conheço mas que passa a se sentir próxima por um elo comum expresso em uma poesia, estribado em uma linha melódica que faz jus ao que quero dizer. Gente que faz das minhas palavras as suas, que me chama de amigo só pelo fato de eu ter sabido, ainda que inconscientemente, expressar em verbos e melodia o que lhes ia no coração.

Nos últimos tempos, ao passo que sigo sendo transformado por Deus, tenho aprendido a deixar um pouco a frieza da razão e investir no coração. A deixar um pouco as coisas para notar as pessoas. E o que aprendo vou registrando em letras de música, artigos, textos. E os resultados tem sido mais do que animadores.

Algumas das lições e decorrências que hoje traduzo como valores pessoais são:

a) o conteúdo sempre fala mais alto do que a forma. Apesar dos recursos que hoje permitem que desafinados cantem no tom, que ruins virem razoáveis, é um engano pensar que tecnologia & forma bastam. Tecnologia nenhuma resolve o problema da falta de assunto. Uma forma ruim pode prejudicar uma boa mensagem, mas uma boa forma não compensa falta de conteúdo.

Na música cristã tem sido fácil ver um mar de canções dizendo sempre a mesma coisa - verdadeiros mantras. Falando sobre Deus – é certo - sobre sua santidade, sua grandeza, de como o amamos, de como o adoramos, de como nos prostramos. Mas curiosamente canções assim, quando cantadas no ouvido de aflitos, só fazem reforçar um conceito errado de que Deus, de tão perfeito, seja talvez inatingível, intocável. Tanto que muitos chegam a dizer que Deus os esqueceu, explicação que encontram para a existência de tantos problemas em suas vidas, quando comparados à glória e vitória ensejadas em canções ufanistas, que falam de um paraíso shangrilá que lhes parece e é tão distante.

Há muita gente querendo fazer música cristã. Mas a maioria esquece que o adjetivo ‘cristã’ só pode vir de um coração cristão, que só nasce de uma relação pessoal com Cristo. Na falta dela, é mesmo pra sobrar clichê e faltar assunto.

b) falar o idioma certo ajuda. Religionês castiço é difícil e só os iniciados o decodificam. Nós e o povo das ruas vivemos no mundo real, falando a linguagem das ruas, das filas de banco. Se nossas canções usam e abusam dos termos religiosos, se seguimos usando nossos ‘rei dos reis’, ‘senhor dos senhores’, ‘senhor dos exércitos’, ‘jeová-jireh’, ‘aleluias’, etc... a quem vamos atingir? Só quem decodifica tal linguagem.  Você, ao chamar um amigo para um churrasco, sábado em sua casa, ‘clamaria a ele para que juntos tabernaculassem em torno do pão, no dia que o Senhor deu?’ Ou, ao invés de dizer ‘que legal!’ diria ‘oh, quão bom é!’? Não? Por que então o fazemos na nossa música cristã? Como esperar que os “não-iniciados” sintam-se em casa? Eles não conhecem o código!!!

Uma música cuja letra fala das coisas do dia a dia, no idioma das ruas, atinge o homem em seus pontos mais íntimos, e lhe apresenta a imagem de um Deus ‘logo aqui’, real, palpável, vivo, que se importa com as pequenas coisas de nossa vida.

c) ter contexto, assunto pertinente. De que adianta falar, ainda que na linguagem certa, de um assunto que não interessa a ninguém? Canções que falam dos problemas reais das pessoas, e propõem a realidade bíblica aplicável são sempre bem recebidas e são úteis. E como saber (acima de tudo entender) quais são estes problemas? Só mesmo fazendo laboratório. Vivendo em contato com as pessoas, conhecendo seus problemas, sofrendo com elas. Por esta razão penso  que o envolvimento dos autores das músicas em alguma atividade pastoral, de aconselhamento, de ensino, ou qualquer outra atividade que os coloque ‘no olho do furacão’ é positiva, é praticamente mandatória e é garantia de assunto.

d) música como meio, não como fim – tento usar música como ferramenta, não como produto final. A música, sua letra, seu arranjo, sua instrumentalidade é e deve ser boa, excelente, mas não deve tomar o lugar da coisa melhor: tocar vidas em nome de Jesus e convidá-las a uma relação com Ele.


Uma música que encontra gente que com ela concorda nasce de um contexto pertinente. Fala uma língua compreensível. E propõe soluções para o mundo real, para o homem real, não para anjos e seres celestiais. Nada como uma música que possa ser cantada e reproduzida no CD dos carros todos os dias, e dela poder se dizer: ‘é...  concordo! Isso é pra hoje! Preciso me lembrar disso logo mais’.

Quero fazer uma música que agrade o coração de Deus. E já aprendí que para Deus pouco importa o que estou cantando para Ele, pois Ele não se relaciona com a minha música, mas comigo. Sei que Lhe é agradável meu coração afinado com o Dele. Uma música com os pés no chão pode transformar vidas, agradando a Deus, e fazendo com que estas vidas também agradem a Deus. Pés no chão, coração no céu.

Tenho buscado fazer este tipo de música. Uma música que seja a decorrência do que vivo do que Deus tem instilado em mim. Canções que escrevo e canto, nas quais e pelas quais derramo o que vai dentro do meu coração. E canções que, de passagem, possam provocar em outras pessoas a sensação de familiaridade, de que sua letra cabe dentro delas, a ponto de perguntarem: como não fui eu quem as fiz?

Estas pessoas são minhas parceiras nas canções. No fim das contas, nenhum de nós as fez, mas Deus as fez em nós. Se não na linha melódica e no trabalho braçal de músico, somos parceiros no assunto, na busca e na necessidade de Deus.