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  Estou “grávido”... e acho que Deus também!
 

Não sei quanto a sua, mas minha vida me oferece uma série de exemplos a me convencer que o melhor chegou sempre das mãos de Deus, após uma certa – e por vezes longa - jornada de sonhos gestados pacientemente em meu íntimo, em meu coração. E quantas não foram as vezes em que insistí com Deus para que o período de gestação fosse reduzido, facilitado, ou mesmo eliminado. Afinal, minha ansiedade sempre me disse que a melhor hora é agora, por que não?
Bom, Deus não pensa como eu e você pensamos...
Folheando mentalmente meu álbum de cenas vividas...

 

 
 
 
 
Antes que você pense se tratar de alguma brincadeira com minha ‘barriguinha’, já vou lhe avisando que a conversa é séria. Estou “grávido” de certos sonhos e projetos. E creio firmemente que Deus também, por certo de alguns.

Não sei quanto a sua, mas minha vida me oferece uma série de exemplos a me convencer que o melhor chegou sempre das mãos de Deus, após uma certa – e por vezes longa - jornada de sonhos gestados pacientemente em meu íntimo, em meu coração. E quantas não foram as vezes em que insistí com Deus para que o período de gestação fosse reduzido, facilitado, ou mesmo eliminado. Afinal, minha ansiedade sempre me disse que a melhor hora é agora, por que não?

Bom, Deus não pensa como eu e você pensamos...

Folheando mentalmente meu álbum de cenas vividas eu me vejo, lá pelo fim dos anos 70, ansioso e inquieto por arranjar uma namorada. Meus amigos todos já tinham ou haviam tido alguma namorada. Pior: meus irmãos mais novos já tinham. O que havia de errado comigo? Que eu achava que muitos dos namoricos dos meus amigos eram pura futilidade, achava. Que eu não queria namorar por namorar, só pra desfilar ao lado de alguém, não queria mesmo. Que eu queria achar a pessoa certa e com ela começar uma longa história, queria. Mas minha briga era com Deus. Por que demorava tanto?

Ah, importantíssimo: eu estava realmente ‘passando do tempo...’ - já estava com 17 pra 18 anos de idade!

Eu me lembro de como, durante a típica ansiedade do ‘período gestacional’, eu buscava ‘ajudar’ a Deus. Gente, de quanta besteira Deus me guardou! Os projetos e atalhos que passaram pela minha cabeça chegam a me dar vergonha! Mesmo que ninguém de carne e osso os conheça, Deus sempre soube deles.

Mal sabia eu que eu já estava ‘grávido’ há tempos da minha vida a dois com a Thelma, que em poucos meses se tornaria a minha primeira e única namorada. A  mesma Thelma que eu conhecia desde os meus 15 anos, mas que ainda não tínha  dado conta do que ela seria para mim. Deus nos guardou, a ambos, de experiências fúteis e inúteis, reservando-nos um para o outro, enquanto estávamos grávidos do mesmo sonho (ainda bem que, naquela época, só dos sonhos!). E o mais curioso: começamos a olhar um para o outro justamente no meio de situações onde começamos mais atentos a outras pessoas, mas que terminamos juntos. Quando Deus faz, faz diferente, faz melhor, faz no tempo certo e faz definitivo.

E caminhando algumas páginas adiante do meu álbum mental, já me vejo alguns anos mais tarde, casado, grávido de meu próximo sonho: ser pai. Mas, se estávamos grávidos do sonho, não conseguíamos engravidar do filho. Da gestação do sonho à primeira notícia de gestação foram três anos e meio. Muitos exames, muitas consultas, muito do que tínhamos mesmo de fazer. Mas também, ao longo do caminho, muitas formas de tentar ‘ajudar’ a Deus. Muitas tentativas, muitos questionamentos, muita ansiedade e também uma boa dose de frustração (afinal, alguns amigos mais chegados já começavam a ter seus filhos...).

Meados de novembro de 1986. Chega a tão esperada notícia. ‘POSITIVO’ era o que estava escrito no exame do laboratório: a Thelma estava grávida. O sonho, que já tinha até nome - Paul
o se fosse menino, Larissa se fosse menina – já estava concebido.

Madrugada de 30 de novembro de 1986. Gravidez interrompida. Era como se o sonho houvesse se desfeito. Por que? Por que, Deus, ainda mais depois de tanta espera? E por que justamente no mesmo dia em que outro sonho meu estava acontecendo? (o lançamento do primeiro álbum do Grupo Mensagem)?

Até hoje não sei exatamente o que Deus quis fazer, mas sei que Ele o fez. Foi duro e difícil, mas hoje sei que foi bom. Tenho para mim que o ‘golpe’ certeiro na gestação (na do filho e na do sonho) foi necessário para nos dar o real equilíbrio na caminhada que teríamos pela frente. Se no final daquele novembro não enxergávamos nada além de um beco sem saída, Deus já havia feito nascer em nós a missão de sermos pais do Ricardo (que chegou no final de 1987), da Marina (em 90) e da Cristina (em 92), justamente na mesma época em que chegávamos a pensar que a adoção seria a única forma do nosso sonho ser realizado. Se nunca soubemos o porque, Deus sempre soube. Por que os períodos de gestação dos nossos três filhos também foram particularmente duros? Talvez só desconfiemos. Deus sabe o porque.

Eu confesso que até choro quando começo a ‘passar por outras páginas’ do meu álbum. Profissão, ministério, música, família, etc. Como é bom recordar e ver que o que recebí de Deus é mais do que pedí, é diferente do que eu pedí, é melhor! Como é estranho constatar que as melhores coisas da minha vida me chegaram quando eu estava lutando por algo diferente!

Seja como for, sou grato a Deus em reconhecer que meus melhores projetos foram mudados após terem sido por Ele mesmo concebidos em mim. Tais mudanças não invalidaram toda a gestação, mas a aperfeiçoaram. Da mesma forma como um pai e uma mãe imaginam a feição do filho que ainda não nasceu, eu também nutria minha imaginação. Mas depois que a criança nasce, o real é tão bom que a imaginação anterior perde de goleada.

Assim foi para mim. Assim tem sido para mim.

Sigo grávido de vários projetos e sonhos. E sigo ansioso por todos eles, querendo que cheguem todos eles agora, de preferência antes que eu termine de escrever este artigo. Mas tenho aprendido a me controlar. Talvez por me lembrar dos períodos de gestação de cada um de nossos filhos (os 3 nasceram de 8 meses).

Qualquer pai e qualquer mãe, devidamente assistidos por um obstétra, sabe que uma boa gravidez dura 9 meses. Se o bebê quer nascer antes, pode ser sinal de problema. E toma-se uma série de cuidados para que a gravidez dure o tempo que deve durar, para que a criança nasça sadia, desenvolvida, na hora correta.

Por que então queremos que os nossos sonhos nasçam antes da hora? Para que sofram nas incubadeiras dos projetos prematuros? Para que morram por causa da nossa pressa?

A única diferença está no tempo. Para uma gravidez, 9 meses. Para um projeto, para um sonho? Ora, Deus é quem sabe.

Só sei que estou ‘grávido’ de projetos e sonhos. Feliz por isso, lutando por eles, tomando os devidos cuidados. E sei que Deus também está grávido, espero que de todos. Mas sei que por certo de um Ele está: do projeto de me ver parecido com Cristo, projeto no qual Ele tem trabalhado desde o dia em que me chamou, conheceu e predestinou. E sei que os meus outros projetos fazem parte deste grande projeto Dele para mim. 


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Esta é a letra de uma música recentemente composta, que retrata aproximadamente o tema deste artigo.


Se paro a pensar no que meu Deus já me deu

do pouco e menor chegando ao muito e maior
Se atento lembrar em como e quando ocorreu,
confesso que pouco eu conquistei

Se paro a pensar no que meu Deus já me deu
há coisas que eu nem saberia pedir

lá está também o que eu por tempo esperei
e que Ele mandou de um jeito melhor

Quando eu não estava desperto,
tampouco ligado no que estava por vir
Ou então meus sonhos desfeitos
me faziam descrer e desistir de lutar
Quando eu não estava atento,
já fora de cena e sem esperar...
O meu Deus me deu do melhor,
me deu muito mais, foi bem mais além
me fez conhecer um pouco do céu

Se paro a pensar no que chamar de melhor
no que vale mais, no que não sei viver sem
Se atento lembrar em quando foi que eu pedí
confesso que não conseguirei

O que é bem melhor chegou e me surpreendeu
chegou quando eu estava em outra estação
Que tanto eu buscava? Mal lembro o por quê!
Só sei que é melhor o que Ele me deu

Quando eu não estava desperto,
tampouco ligado no que estava por vir
Ou então meus sonhos desfeitos
me faziam descrer e desistir de lutar
Quando eu não estava atento,
já fora de cena e sem esperar...
O meu Deus me deu do melhor,
me deu muito mais, foi bem mais além
me fez conhecer um pouco do céu