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É uma revista virtual cristã, para a qual escrevo, e que dirijo. Será um prazer te-lo como visitante e assinante (é gratuita) 

 
 

           
  Como conhecí a Jesus Cristo:
 


O começo de tudo
Verdade
seja dita: todos aqueles que nascem cristãos já nascem com alguns pontos a mais. Não que sejam melhores, mas já nascem com a chance de aprender um caminho sério, direito, e eterno.

Mas existe outra verdade por trás desta vantagem: os que nascem em família cristã acabam se achando cristãos automaticamente, só porque conhecem textos bíblicos de memória, porque tem o costume de ir à igreja com regularidade, entre outras coisas. Ainda mais sendo o Brasil um país de maioria cristã-católica, o fato de pertencer a uma família que abraçava uma religião cristã-evangélica já fazia com que você se achasse pelo menos diferente a cada vez que tinha que informar sua religião.

Comigo não foi diferente.

Entrando num desvio
Mas o tempo foi passando e, a medida em que vamos nos conhecendo como gente, começamos a questionar um monte de coisa. Ora, se eu era de uma família evangélica - um "crente" - e todo crente deveria ir a igreja, ler a Bíblia, orar, ter comunhão com Deus, ter fé nele, ser bom, honesto, e isso e aquilo, por que é que eu via, mesmo dentro da igreja, e até mesmo dentro da minha "grande" família, coisas boas e ruins? Comecei a ver que ir a igreja e obedecer uma série de regras de conduta não faziam diferença alguma lá dentro de mim. Eu mesmo sabia enumerar um monte de nomes de pessoas que eram "santarrões" de igreja, mas que tinham uma vida e uma conduta abaixo de qualquer comentário.

Mas como adolescente sempre é meio rebelde, meus questionamentos iam sendo entendidos só como coisa da idade. Na base do "um dia passa". E a vida foi seguindo.

O que Deus estava me reservando
Era Janeiro de 1976. Bem perto de São Paulo, em Atibaia, existe um Acampamento, o Palavra da Vida. Eu já havia conhecido o local em outras programações da igreja, mas naquela ocasião eu estava sendo deixado lá, sozinho, sem ninguém da minha turma, para lá passar duas semanas. Eu estava com 16 pra 17 anos de idade. As semanas prometiam muito esporte, muita gente nova, agitação, mas tinham um preço: 4 cultos por dia. Tudo bem, pensei... aguento isso desde criança!

Dentre os amigos que fiz, conhecí um em especial: Marcos. Ele era a exata expressão de tudo o que eu sempre sonhava ser mas não era. Era extrovertido, baderneiro, fazia sucesso com a mulherada, era pelo menos razoável em tudo quanto era esporte, e era um tanto "bandido". Também ficaria por lá as mesmas duas semanas que eu. Estava lá porque as havia ganho de uma tia crente que queria ver se ele tomava jeito.

A primeira semana passou legal. Deu pra conhecer bem o Marcos - o Marcão, de Marília,SP - e outras pessoas também. Aguentamos legal os 4 cultos diários. Mas a maior surpresa me estava reservada para o sábado a noite.

Como era o programa do acampamento, a última reunião do sábado a noite era ao ar livre, em volta de uma fogueira. Cantávamos e depois alguém falava. E quem falou (não me lembro quem) apresentou o plano de Deus para salvação do homem. Jesus, quem ele era, e o que oferecia a quem o aceitasse. E concluiu desafiando as pessoas a que pensassem sua vida e se entregassem a Jesus.

Francamente, por viver numa igreja evangélica desde que nascí, estava acostumado a esse episódio.

Também como costume, o preletor abriu pra que quem quisesse falar algo a respeito de seu testemunho pessoal, ou de sua entrega a Jesus, falasse naquela hora.

O inesperado
A coisa corria bem até a hora em que vejo, do lado oposto de onde eu estava, o Marcos se levantar e começar a falar que algo havia ocorrido nele naquela hora, e que a partir dos últimos 5 minutos ele tinha entregue sua vida a Jesus. Aquilo quase me provocou um colapso, pois ele era o típico caso que muitos achavam perdido e irremediável. Ele mesmo dizia isso nos dias anteriores. Mas agora ele era de Jesus. Dizia isso a quem quisesse ouvir, em alto e bom som.

A segunda semana
A maioria das pessoas foi embora e poucos ficaram pra outra semana. Mas eu e o Marcos ficamos. E aí começou a obra de Deus em mim.

O Marcos estava vivendo a alegria e o furor de uma relação com Jesus. Se na semana anterior apenas suportava os cultos, nesta segunda semana ele os aguardava. Queria discutir com os preletores. Queria saber mais de Jesus. E francamente era outra pessoa.

E o mais curioso. Era comigo que ele vinha tirar suas dúvidas. Afinal, eu era "crente" há um tempão. Havia ganho uns concursos de perguntas e respostas da Bíblia na semana passada. Acho que na opinião dele eu devia saber muito...

O confronto e a crise
E aí começou meu dilema. Eu podia conhecer um monte de coisa, mas nunca tinha experimentado aquela euforia que o Marcos experimentava. Muitos chegaram a me dizer que "primeiro amor" era assim mesmo, e que os nascidos em lar cristão experimentam isso gradualmente. Mas a única verdade que me bateu de forma indiscutível naquela semana era a de que eu não conhecia Jesus de verdade. Tinha aprendido e estudado a respeito dele como se estuda a respeito de um personagem da história. Mas meu relacionamento efetivo com o Jesus vivo era só teoria.

Eu me ví como eu era de fato: um mero frequentador de igreja, que achava que por isso eu era cristão. Como dizia Keith Green, um músico americano mais ou menos da mesma época, ir muito ao McDonalds não vai te transformar em um hamburger. Frequentar uma igreja não faz de você um cristão.

A minha decisão
Chegou a hora da fogueira da segunda semana. Não tive coragem de me levantar e falar, mas falei claramente com Deus mais ou menos nestes termos: "Deus, eu reconheço que eu tenho vivido uma vida de fachada. Tenho me considerado cristão, mas estou longe de lhe conhecer de perto. Se era seu plano colocar o Marcos do meu lado nesta semana pra me desafiar, digamos que você conseguiu. E digo: se existe uma vida abundante como essa que vejo fluir do Marcos e de outros aqui, eu quero ela pra mim, agora!"

Isso mudou a minha vida toda.

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